As mochilas, a irrequietude e os turistas do quotidiano
As mochilas, a irrequietude e os turistas do quotidiano

Análise cultural, Análise de bens, Inovação

As mochilas, a irrequietude e os turistas do quotidiano

As mochilas têm como função o transporte de várias posses e, durante muito tempo, o seu significado manteve-se estável.

As mochilas têm como função o transporte de várias posses e, durante muito tempo, o seu significado manteve-se estável.

Eram e são indispensáveis para os estudantes levarem os seus livros e cadernos para a escola.

Eram e são indispensáveis para os militares nos seus trajetos.

Eram e são indispensáveis para os campistas nas suas expedições e acampamentos.

Eram e são indispensáveis para os viajantes carregarem os seus bens durante as travessias.
Durante muito tempo, a mochila ficou restrita à função de transporte de bens para pessoas em movimento, como os militares, os campistas, os sem-abrigo, os estudantes e os viajantes. Mas, nos últimos anos, a mochila mudou os seus significados partilhados. Superou a função de transporte dos bens das pessoas em movimento e passou a ser usada por outros grupos sociais. O seu significado utilitário de transporte de bens mudou até um significado existencial. A sua função foi reenquadrada e o seu significado foi substancialmente alargado. Hoje, a mochila é utilizada pela generalidade das pessoas. Não é mais um índice da categoria estudante, viajante, militar e campista. Tornou-se o meio de transporte dos bens de muitas pessoas em contexto laboral, urbano e sedentário.
Com esta performance diária, que significados são veiculados por estes novos utilizadores de mochilas?
Como citam a vivência dos estudantes, dos militares, dos viajantes e dos campistas, estas pessoas estão a representar-se como irrequietos, sedentários e nómadas, como estando sempre em movimento, de um local até outro. Colocam-se como viajantes diários entre vários destinos, como turistas diários. Ou seja, como pessoas que exploram novos caminhos e descobrem novidades no seu quotidiano.

A mochila permite, então, modificar a representação do quotidiano e transportar as ideias do turismo, da viagem e do nomadismo até ao dia a dia laboral. Ideias e valores da cultura periférica, como a vida em movimento, a vida-viagem, a aventura e a independência.

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