As mulheres, os homens, a programação e a pressão discursiva
Fevereiro 5, 2020 9:45 am Leave your thoughtsPara promovermos a igualdade de género, escrevamos sobre o que os homens têm de fazer e um pouco menos sobre onde as mulheres têm de agir.
Para promovermos a igualdade de género, escrevamos sobre o que os homens têm de fazer e um pouco menos sobre onde as mulheres têm de agir.
As histórias antigas, as lendas, os mitos, a herança da Grécia Antiga e do Império Romano, estão nos lineares das lojas. Há detergentes chamados Ariel e Ajax, joias Pandora (um nome da mitologia grega que significa talentosa), artigos de luxo chamados Hermès, pastilhas elásticas Trident (a arma do Deus dos Mares), barras de chocolate Mars e computadores Apple, a marca rebelde que ostenta a maçã dentada como símbolo e remete à primeira desobediência de Adão e Eva. As grandes histórias convivem no quotidiano da generalidade das pessoas, acompanham as pequenas tarefas, como a compra de um livro na Amazon, até às tarefas maiores, como compra de um carro chamado Ford Orion.
O turismo não é, apenas, uma transição entre espaços. Também é uma transição entre tempos e, muitas vezes, um regresso ao passado de cada um.
As guloseimas não servem apenas para comer. Também servem para recusar o mundo dos adultos.
A sociedade tem mudado depressa. Há novas famílias, novos hábitos, novos conceitos de escritório, novas formas de alterar o corpo e novos alimentos. Agora, para ser possível partilhar e legitimar tantas mudanças, é necessário criar e difundir neologismos.
As celebridades disponibilizam opções identitárias. Quando apresentam, cantam, representam e são entrevistados estão a desempenhar o seu trabalho e, ainda, a disponibilizar às suas audiências diferentes formas de ser. A receita identitária apresentada pelas celebridades é, habitualmente, complexa, diversa e contrastada. O vestuário, as poses, os sotaques e a performance possuem atributos de quadrantes diferentes. Do mundo sensual e do mundo romântico e bem-comportado, do deboche e do angelical, do heterossexual e do gay. Através desta complexidade, as estrelas desafiam as regras culturais. Reinventam as categorias culturais. Mostram a sua superioridade perante o esperado e os constrangimentos sociais. E obtém sucesso, exatamente na medida em que desafiam o esperado.
É na junção, inesperada, de características antagónicas, que o Presidente Marcelo ganha parte da sua popularidade.
Os seus contrastes geram envolvimento e identificação.
As inovações são valorizadas porque resolvem e superam a mortalidade. Por exemplo, os novos modelos de telemóvel endereçam o medo de morrer.
A perda de função valoriza os produtos. Por isso, o simbolismo dos livros, das velas, dos candelabros e dos pensos adesivos resulta, em parte, da sua inutilidade.
Nas lojas, o pijama ganhou elaboração, com gamas largas e sofisticadas de estojos, chinelos, roupões e almofadas, enquanto as pessoas saem à rua de chinelos, alpercatas, calções, túnicas e leggings.
As mochilas têm como função o transporte de várias posses e, durante muito tempo, o seu significado manteve-se estável.
Compram-se histórias quando se adquirem livros e revistas, mas também quando se compram iogurtes, detergentes, roupa, computadores e bebidas.