As mulheres, os homens, a programação e a pressão discursiva
As mulheres, os homens, a programação e a pressão discursiva

Análise cultural, Análise de linguagem, Análise de media

As mulheres, os homens, a programação e a pressão discursiva

Para promovermos a igualdade de género, escrevamos sobre o que os homens têm de fazer e um pouco menos sobre onde as mulheres têm de agir.

Para promovermos a igualdade de género, escrevamos sobre o que os homens têm de fazer e um pouco menos sobre onde as mulheres têm de agir.

Passemos a representar como um problema a falta de representatividade masculina em sectores como a educação, a saúde e a justiça. Escrevamos notícias como:

“A sociedade necessita aceitar os educadores de infância. Cuidar dos mais pequenos é um trabalho de poucos homens portugueses e esta minoria é alvo de preconceito.”
e
“Para melhor lidar com as dificuldades de aprendizagem dos meninos no primeiro ciclo é fundamental atrair mais homens para lecionarem no ensino básico. Portugal necessita de mais professores no primeiro ciclo. Professores homens. Hoje, o sistema de ensino em Portugal é dominado por professoras, e existem estudos que indicam que os rapazes e o seu comportamento poderá estar a ser considerado patológico. A energia física está a ser encarada como excessiva e a desatenção, a desobediência e a falta de concentração a serem encarados como problemas de desenvolvimento. Uma escola com meninos e meninas necessita de professores e professoras, pelo que o país necessita atrair mais homens para a carreira docente, para lutar contra o abandono e o insucesso escolar (problemas que afetam, sobretudo, os rapazes).”

Estes são títulos estranhos e tópicos menos comuns. Porque os homens, contrariamente às mulheres, nunca são alvo de pressão discursiva. Raramente são representados como um problema, como um grupo em risco, a necessitar de mudança ou de adaptação. Para se ser progressista, existem duas opções:
. Passar a tratar os homens do mesmo modo, instruindo e aconselhando, apontando carências e necessidades de mudança.
Ou, simplesmente,
. Abandonar a pressão discursiva sobre as mulheres, e criticar quando os media se colocam a dar instruções sobre onde as mulheres devem trabalhar e por que áreas se devem interessar.

A mudança dos media é uma área fundamental na promoção da igualdade de género.

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