Doces, guloseimas e negações
Doces, guloseimas e negações

Análise cultural, Análise de bens, Análise geracional

Doces, guloseimas e negações

As guloseimas não servem apenas para comer. Também servem para recusar o mundo dos adultos.

As guloseimas não servem apenas para comer. Também servem para recusar o mundo dos adultos.

As guloseimas são um grande “não” às convenções ordeiras e previsíveis dos adultos.
Os bolos e as sobremesas “sérias” revelam os seus ingredientes e as suas origens geográficas em nomes como “ovos moles”, “leite creme”, “bolo de chocolate”, “pastéis de Belém” e “pastéis de Chaves”. São cozinhados, possuem talheres e pratos específicos, receitas da avó, páginas em livros de culinária, segredos regionais e, por vezes, histórias conventuais.
Enquanto os doces dos adultos surgem como “comida verdadeira”, os doces dos mais pequenos desafiam todas as regras da boa educação e até a ideia de “comestível”. Comem-se gomas às mãos cheias, misturam-se diferentes tipos de gomas numa desordem colorida, colocam-se gomas nos bolsos da roupa, dispensam-se embrulhos, guardanapos e outros protetores, comem-se a meias, sujam-se as mãos, retiram-se da boca a meio da mastigação, exibe-se as mudanças de cor da língua e grudam-se por debaixo dos tampos das mesas. As guloseimas dos mais novos são desordeiras e ostentam nomes enganadores. Tanto as cores como os motivos não são do foro alimentar. Afinal, dinossauros em verde alface, cobras azuis, ursos e gorilas em cores saturadas… não correspondem à ideia de “comida”. Ao trocarem gomas entre si, as crianças erguem as suas fronteiras, delimitam o seu campo e excluem os adultos.

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